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Em maior operação da história, tocha é conduzida por jornalistas e artistas

Tocha Olímpica teve até versão do "Pintinho Amarelinho", cantado por Gugu

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Patrícia Poeta foi uma das famosas a carregar a tocha olímpica
Redação NT

Publicado em 18/07/2016 às 10:57:02

A passagem da tocha olímpica pelo país é proclamada pelo próprio Comitê Rio 2016 como a “maior operação de segurança da história do Brasil”.

Mas não é somente a Força Nacional que vem tendo trabalho para dar conta de acompanhar os 12 mil condutores do fogo sagrado. Uma grande equipe de mídia trabalha a todo o tempo para registrar o percurso.

Carla Marques, líder do setor de comunicação, é uma das mais assíduas frequentadoras do “media one”, o caminhão de mídia que é a principal visão de quem conduz a tocha. É nele que os fotógrafos e cinegrafistas registram os trechos pelo melhor ângulo possível.

Ela explica que o foco no caminhão são mesmo as capturas de foto e de vídeo. “Um cabo conecta a câmera direto ao computador para a edição ser em tempo real”, exemplifica para mostrar a complexidade da operação. O objetivo é já alimentar de imediato as redes do evento e abastecer também o restante da imprensa. Em média, são nove mil cliques por dia.

Além da equipe oficial, ainda há no caminhão espaço para parceiros de mídia, alguns até mesmo da imprensa internacional. E boa parte desses membros que seguem na estrada por dezenas de dias foram recompensados com a honra de conduzir a tocha.

Entre eles, Henrique Arcoverde, do SporTV, que se revezou com Paula Moraes para acompanhar o revezamento pelo canal. O jornalista caiu durante seu trajeto em Criciúma (SC).

A presença de profissionais do jornalismo é de praxe desde o primeiro dia, quando a tocha foi carregada em Brasília pela apresentadora do “Fantástico”, Poliana Abritta. Ela se disse emocionada em “representar um pouco dessa história”.

A maioria dos representantes vem sendo do Grupo Globo, o mais tradicional parceiro brasileiro do Comitê Olímpico Internacional e que nessa edição é também apoiador comercial do evento.

Glenda Kozlowski, que acendeu a pira em Vitória (ES), classificou o instante como uma “emoção difícil de traduzir”. Já Sandra Annenberg, que virou meme com suas caras e bocas, destacou a “importância mundial” do evento.

O narrador Galvão Bueno, que acompanha edições dos Jogos desde Los Angeles 1984, comparou o momento com “10 Copas do Mundo e mais de 500 corridas de Fórmula 1”, o classificando como “único” na carreira.

Tino Marcos, colega de muitas transmissões com a Seleção Brasileira, também fez uso de analogia ao dizer que se sentiu como “um garoto sendo convocado” quando recebeu a notícia de que seria um condutor.  

Entre outros, também foram condutores “globais” Alex Escobar, Tadeu Schmidt, Carlos Gil, Patrícia Poeta, Carol Barcellos, Fernanda Gentil, Cristiane Dias, Renato Peters, Marcelo Barreto, Vanessa Riche e Sérgio Mauricio.

A Record, por sua vez, vem optando em nomes mais ligados ao entretenimento. Foi assim com Rodrigo Faro e Gugu Liberato, que fez até versão do hit Pintinho Amarelinho com a tocha em mãos.

O jornalismo já foi representado por Adriana Araújo, âncora do “Jornal da Record”. Brevemente será a vez de Mylena Ciribelli repetir o feito que já fez na Inglaterra em 2012.  

Durante o trajeto em Natal (RN), eu também tive a oportunidade de percorrer os emocionantes 200 metros. Foi a chance de comprovar que as falas emotivas e vagas não são meros chavões. De fato, ao me ver diante do fogo trazido de Olímpia, na Grécia, a sensação foi indescritível. A tradição, incorporada na Modernidade pelos nazistas na edição de 1936, superou completamente o simbolismo de quem a reinseriu.

Mesmo que por alguns segundos, se sentir parte da Olimpíada de forma plena consegue transcender toda a expectativa criada antecedendo o evento. Em tempos tão complicados mundo afora, o significado que vai aceso na tocha transcende qualquer percurso. Aliás, há de se destacar dois fatos: a honraria jamais foi exclusiva de atletas, nem mesmo na Grécia Antiga.

A principal missão do revezamento não é os “premiar”. Para isso, afinal, já existem as medalhas. A ideia central é propagar o espírito olímpico e ir avisando sobre a mensagem da chegada dos Jogos, daí a opção por alguns nomes capazes de repercutir, que vem sendo praxe há várias edições.

O outro é que esse percentual de personalidades, que inclui também vários nomes da música, é limitado. Como dito, cada condutor percorre apenas 200 metros, com a quilometragem geralmente colocando mais de uma centena de pessoas com essa missão a cada dia.  

O revezamento já está entrando em sua reta final, que é aguardada ansiosamente em todo o planeta, já que somente quando a chama for entregue ao último (e misterioso) condutor para ser levada até a pira é que estarão abertos os Jogos Olímpicos.

 

O colunista Lucas Félix mostra um panorama desse surpreendente território que é a TV brasileira. Ele também edita o https://territoriodeideias.blogspot.com.br e está no Twitter (@lucasfelix)

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