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Êxito de "Êta Mundo Bom" evidencia habilidade do autor em produzir sucessos

"Enfoque NT" analisa a maneira como o autor Walcyr Carrasco consegue conduzir tramas e sempre conseguir sucessos em diferentes horários

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Walcyr é dono de sucessos em todos os horários na Globo - Divulgação/TV Globo
Thiago Forato

Publicado em 16/04/2016 às 14:22:06

São 16 telenovelas no currículo (contabilizando “Esperança”, de 2002) do autor Walcyr Carrasco. E grande parte delas, sucessos incontestáveis de audiência, servindo muitas vezes como verdadeiros “guindastes”, elevando os índices consideravelmente de um horário (qualquer um deles).
 
Com uma sensibilidade aflorada e o dom de ser popular, Walcyr Carrasco mostra que está em plena forma em “Êta Mundo Bom”, sucesso das seis na Globo. 
 
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Ultrapassando os 30 pontos de audiência no Ibope nesta semana na Grande São Paulo, feito que não ocorria desde “Escrito nas Estrelas” (2010), Walcyr usa em sua nova novela, que tem três meses no ar, elementos que já fizeram estardalhaço em outras, tais como “O Cravo e a Rosa” (2000) e “Chocolate com Pimenta” (2003): muita cena pastelão (guerra de bolos, tortas), comédia e uma boa história de amor como a principal premissa. 
 
Por vezes teatral, suas novelas caem na boca do público que o colocam na condição de unanimidade dentro da Globo. Muitos podem contestar a maneira como escreve, mas o que ninguém pode negar é que ele sabe atingir o telespectador em cheio. Seja contando histórias mais leves como“Êta Mundo Bom” ou até alguma mais complexa e adulta como “Verdades Secretas”, sucesso colossal no ano passado.
 
Walcyr está praticamente todos os anos no ar. É uma verdadeira máquina de escrever. Sempre exitoso, emendou “Verdades Secretas” em “Êta Mundo Bom” e já declarou diversas vezes que não faz questão de férias longas ou um hiato tão grande como a maioria dos autores faz.
 
Também, pudera. Ter Carrasco assinando uma novela hoje em dia é praticamente assinar atestado de sucesso. 
 
"O senhor das seis"
 
A habilidade do novelista também se amplia em pegar histórias alheias, como em 2002, quando Benedito Ruy Barbosa, por motivos de saúde, teve que se afastar de “Esperança”. A popularidade do folhetim estava patinando, e os índices de audiência, que giravam em torno dos 30 (se hoje uma pontuação dessa já é baixa, em 2002 ela estava no nível pré-sal) foram aos 40 pontos. Carrasco deu uma nova dinâmica à novela e quem não gostou, na verdade, foi o próprio Benedito, que o acusa de ter “estragado tudo”. Enfim, fato superado.
 
“O senhor das seis” também recebe elogios dos diretores, já que ele, além de escrever rápido, não atrasa a entrega dos capítulos.
 
Nos últimos anos, o horário das seis da Globo vinha escorregando e se tornando “um novo horário das 19h” para diretores. Isto é, o público que acompanhava uma trama daquele horário era tido como uma incógnita, visto a dificuldade de se acertar. Muitos estilos ali foram testados.
 
 
Mais do que ser “um senhor das seis”, Walcyr Carrasco escreveu sucessos para todos os horários. Das 18h às 23h, mostrando que sabe lidar com diferentes tipos de público, contar histórias distintas mostrando suas diversas facetas. 
 
Em “Êta Mundo Bom”, o autor consegue agradar (de novo) sem elementos que vinham sendo alvo de críticas do telespectador (como “excesso de realidade” ou ter homossexuais, por exemplo), regado a muito romance e humor. 
 
Thiago Forato é jornalista, escreve sobre televisão há 11 anos e assina a coluna Enfoque NT há cinco, além de matérias e reportagens especiais no NaTelinha. Converse com ele: thiagoforato@natelinha.com.br  |  Twitter: @tforatto
 
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