Ex-Globeleza fala sobre hipótese de ter perdido posto por ser "negra demais"

E mais: Wagner Montes pode estar sofrendo retaliação na Record e "Jornal Nacional" comete erro em reportagem

Fotos: Divulgação

Publicado em 21/02/2016 às 08:00:00

Por: Sandro Nascimento

O jornal inglês The Guardian surpreendeu a imprensa mundial na última semana, quando lançou o documentário "The Brazilian Carnival Queen Deemed 'Too Black'", algo como "A Rainha do Carnaval Brasileiro foi Considerada Negra Demais". A reportagem insinua que a ex-Globeleza Nayara Justino teria perdido o posto de representante do Carnaval da Globo por existir um racismo "oculto" na sociedade brasileira.

A história de Nayara comoveu até a atriz americana Lupita Nyong'o, vencedora do Oscar de melhor atriz coadjuvante em 2014. Em sua rede social, Lupita publicou:  "Minha paixão feminina de quarta-feira é a brasileira Nayara Justino. A sua linda história está aqui“, publicando o link para a matéria.

Em entrevista exclusiva a este colunista do NaTelinha, Nayara Justino explica como surgiu o convite para o documentário. Sobre perder o posto de Globeleza por ser negra demais, ela diz: "Apenas relatamos os fatos. Sejam coincidência ou não".

Confira:

O documentário sobre preconceito racial do jornal inglês The Guardian teve uma grande repercussão no mundo. Você esperava tudo isso?

Nayara Justino -
Não esperava. Fizemos um trabalho lindo, com muita dedicação. Superou as nossas expectativas e levou nossa mensagem para todo mundo. Agradecimentos especiais para Bruce Douglas, Barney Flows, Cairo Jardim e toda equipe que nos tratou tão bem nos últimos nove meses.  

A reportagem do jornal conta que sua saída do posto de Globeleza teria sido por você ser uma negra e não uma mulata. Quando você percebeu que isso poderia ser a explicação de sua saída repentina do cargo?

Nayara Justino -
Não afirmamos que a saída se deu por conta disso. Apenas relatamos os fatos. Sejam coincidência ou não. Até porque respeito demais o trabalho das meninas que lá estiveram e da Erika (atual Globeleza), que conheci há pouco e é uma menina top! Muito legal e merecedora também.

O foco do documentário é levar uma historia de superação para milhões de meninas no mundo todo. Ganhei o concurso com méritos e sofri muito na internet. Perdi o posto e não desisti. Tem que saber ganhar, perder, levantar a cabeça e continuar. Mas as maldades sofridas não esqueço e as uso de motivação e inspiração.

Como surgiu a proposta para o documentário do jornal The Guardian? A pauta sobre sua saída do posto de Globeleza era o tema principal desde o início?

Nayara Justino -
O tema principal era preconceito à mulher negra no Brasil. Os produtores se encantaram com minha historia e a souberam contar de forma real e objetiva.  

Nas redes sociais, a atriz americana Lupita Nyong'o fez uma linda homenagem nesta última semana a você. Qual foi o seu sentimento ao ficar sabendo desta atitude? Houve algum contato depois disso?

Nayara Justino -
Chorei, chorei, sorri e chorei mais um pouco. O sentimento foi de realização. Estou recebendo mensagens do mundo todo e as guardo com muito carinho. Mas ela entendeu perfeitamente nossa mensagem. O poema que ela dedicou fala de superação. Nunca desistir. Sou guerreira. Enquanto me derem chance de mostrar meu talento, o farei. Ela curtiu meu agradecimento e nós duas por dentro sabemos que estamos inspirando milhões de meninas. Algumas professoras, como minha mãe, estão usando o documentário em sala de aula. Isto é minha maior felicidade.

Dentro da Globo, sendo Globeleza, em algum momento você sentiu o preconceito?

Nayara Justino -
Nunca. Muito pelo contrário. Gosto tanto do pessoal de lá que queria ter continuado. Ou quem sabe um dia voltar como atriz. Tenho amigos lá. Pessoal muito batalhador e que dão a vida para levar bom entretenimento das pessoas. Assim como são na Record e outras emissoras.

Você recebeu diversos comentários de racismo em suas redes sociais quando estava saindo do cargo de Globeleza. Foi por esse motivo que você entrou em depressão em 2014, conforme chegou a ser noticiado? O que mais te machucou?

Nayara Justino -
Nunca entrei em depressão. Isto foi inventado e pegou. Fiquei sim muito chateada com comentários de internet e algumas pessoas públicas. Se tivesse entrado em depressão não teria feito tantas coisas no ano passado (gravações para novela, documentário, viagem internacional com Salgueiro). Antes a inveja me machucava (comentários como "Ela é feia", "Zé pequeno"). Aprendi que não posso mudar a cabeça de algumas pessoas e agora sei conviver perfeitamente com os "haters". Se hoje estamos aqui falando de toda repercussão e podendo levar minha mensagem para o mundo, eu devo a eles.

Você acredita que novamente uma negra possa volta a ser protagonista das vinhetas de Carnaval da Globo?

Nayara Justino -
Tem uma negra linda lá. Chama-se Erika Moura. Eu gostaria sim que nós negras tenhamos mais protagonismo nas produções. Sabemos ser mulatas, faveladas, escravas, empregadas. Mas também mocinhas, vilãs, etc. Nós damos Ibope, iso está mais que provado. Então por favor, nos deem mais espaço!

Você está no elenco da novela "Escrava Mãe", que a Record produz há algum tempo e pode estrear neste ano. Curiosamente, tem como temática a escravidão. Como está sua expectativa? Como será sua personagem?

Nayara Justino -
Papel emocionante. Escrava sendo contada de forma real. Que sofre, se emociona, se apaixona e para saber mais tem que assistir. Conta nossa história em uma produção incrível. Quem gosta de super produção e história de época vai adorar. Novelão!

Sobre os fatos relatados no documentário do The Guardian, esta coluna entrou em contato com a assessoria de imprensa da Rede Globo, que emitiu o seguinte comunicado: "Não houve destituição. O contrato da Nayara era de um ano e seguiu conforme o previsto. A Globo não rotula seus contratados pela cor da pele e os atores são escalados de acordo com a compatibilidade artística ao papel. Se há uma ou outra prevalência é pela adequação à história que será contada. O mesmo critério vale para a escolha da Globeleza, onde também prevalece a avaliação artística".
 
Wagner Montes pode estar sofrendo retaliação na Record

Fora do ar desde outubro, quando se afastou do "Cidade Alerta Rio" para uma recuperação de implante dentário, o deputado e apresentador Wagner Montes ainda não tem data para retornar à grade da Record na cidade do Rio de Janeiro e pode estar sofrendo retaliação política na emissora.

Nos bastidores, a informação que circula é que a ala política da Record quer o apoio de Wagner Montes para o Senador Marcelo Crivella, do PRB (partido ligado à Igreja Universal), na disputa à eleição da prefeitura do Rio, mas o apresentador pode ser candidato ao cargo pelo PSD, o que desagradou a cúpula da Universal.

Ainda segundo fontes, seu retorno ao vídeo está adiado até que seja definido seu destino político no Estado.

Questionada por esta coluna sobre a data de retorno de Wagner Montes, a assessoria de imprensa da Record informou que a direção de jornalismo não tem nada a declarar sobre o assunto.

Já o apresentador resolveu se pronunciar após repercussão da matéria, garantindo que não existe retaliação da emissora e nem que irá se candidatar à prefeito do Rio.

Portanto, o mistério em torno da volta de Wagner Montes à emissora dos bispos continua. O apresentador é campeão de audiência da Record Rio e seu contrato é válido até 2017. A multa para rescisão é milionária.

Novos canais Fox na Oi TV

A Fox Brasil e a Oi TV assinaram um novo acordo assegurando o retorno do sinal dos canais à operadora. Segundo informações passadas para este colunista, o acordo também garante a entrada dos canais premium, Fox 1 e Fox Action.

Procurada, a assessoria de imprensa da Oi TV não negou e nem confirmou a entrada dos novos canais. Por enquanto, eles estão sendo comercializados pelas operadoras Sumicity, no Rio, e Multiplay, em Fortaleza, com o valor de R$ 25,00.

Isabella Santoni e Bruna Hamú estrelam musical no Rio

Isabella Santoni, Bruna Hamú, Malu Rodrigues, Carol Garcia e Gabi Porto estreiam nesta segunda-feira (22) a peça "Cinco Júlias", que ficará até 05 abril no teatro das Artes, no Rio.

O espetáculo discute a possibilidade de grupo de hackers invadir o banco de dados das redes sociais e expor as mensagens privadas de todos os usuários do planeta. A história mergulha na vida de cinco meninas, retratando os dilemas clássicos da juventude.

As atrizes juntas somam mais de seis milhões de seguidores no Instagram. Logo, estão à vontade para falar deste universo que atrai e expõe toda uma geração.  

Para quem está com saudades de "Malhação - Sonhos", é uma boa oportunidade de rever a Isabela Santoni e Bruna Hamú juntas em cena. "Cinco Júlias" tem texto e direção de Matheus Souza.

"Jornal Nacional" comete erro em reportagem

Na última terça-feira (16), o "Jornal Nacional" exibiu uma reportagem da jornalista Bette Lucchese, sobre os últimos números divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) que mostravam uma queda de 4,3% no comércio nacional. Até aí tudo bem.

O problema é que, para ilustrar esses números, foram utilizadas imagens dos estabelecimentos com as portas fechadas da rua da Carioca no Rio, dando a entender que devido a falta de venda essas lojas encerraram as suas operações, o que não é verdade.

Conforme reportagem publicada no jornal O Globo no dia 24/07/2014, o real motivo foi a alta dos alugueis, que chegou a triplicar na região, praticada pelo banco Opportunity, dona dos imóveis. Portanto, o local não poderia ser usado como exemplo de crise no comércio.

Procurada por esta coluna, a comunicação da Globo emitiu a seguinte resposta: "Não há erro algum de apuração. A matéria do ‘Jornal Nacional’ exibida na última terça-feira mostra o resultado de uma pesquisa do IBGE, que atesta que cerca de 13% das lojas fecharam em 2015 por conta da crise econômica. A sugestão de gravação nesta tradicional rua comercial do centro do Rio foi uma sugestão do próprio CDL RIO (Clube dos Diretores Lojistas do Rio de Janeiro), onde há pelo menos 12 lojas de portas fechadas, independente dos motivos que levaram ao fechamento de cada uma delas".

Bem, na nota a Globo diz que "13% das lojas fecharam em 2015 por conta da crise econômica". Mas a matéria não era sobre a crise no comércio? O real motivo do fechamento dos estabelecimentos mostrados deveria, sim, ter tido uma grande importância no momento que a reportagem estivesse sendo produzida. Estamos de olho.

Aviso aos novos atores

Aos novos atores, um aviso: cuidado com suas atitudes em eventos fechados. Nem sempre se encontra alguém com ética dividindo o mesmo ambiente.

Fico por aqui ou toda hora no twitter @sanduba



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