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Espetáculo faz a diferença nas transmissões; Champions League que o diga

Território da TV

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Barcelona foi o campeão da Champions League
Redação NT

Publicado em 09/06/2015 às 09:47:08

No meio televisivo, o fato de maior destaque derivado da final da Liga dos Campeões no último sábado (06) é a passagem dos direitos de transmissão da ESPN ao Esporte Interativo após duas décadas.

Essa repercussão difere do modo sutil com que a Champions passou das mãos da Record para as da Globo em 2009. Na época, o produto já era valorizado e rendia bons picos, claro. Mas a tomada foi mais uma questão de resposta pela perda de outros direitos que fizeram o caminho inverso, como os dos Jogos Pan-Americanos e da Olimpíada de Londres.

A Globo optava por transmitir apenas dois ou três jogos, contando a partir das semifinais, e repassava todo o restante para Band. Só que o principal torneio interclubes da Europa mudou de status ao longo dos últimos seis anos.

Tanto é que a partida de futebol mais assistida na Grande São Paulo no final de semana não foi nenhum jogo do Brasileirão em horário nobre ou o amistoso da Seleção Brasileira. Os olhos dos brasileiros estiveram voltados para a final da UCL mais do que para qualquer outra partida.

Somadas, Globo e Band tiveram 25 pontos com a bola rolando no Estádio Olímpico de Berlim. Mais tarde, o Campeonato Brasileiro somaria 18. No domingo (07), o amistoso da Seleção, com exclusividade da Globo, deu 22.  

São números circunstanciais, claro. O jogo escolhido do Brasileiro para os paulistas foi um fraco Corinthians x Joinville, a Seleção estava desfalcada... OK. Mas muitos jogos até mesmo de Libertadores da América ficaram em patamar similar aos do teoricamente distante campeonato europeu.

E que servem de alerta para uma nova realidade nas transmissões, em que mais do que a paixão clubística, o espetáculo vai fazer a diferença na hora de mobilizar o público.

Na próxima temporada...

A Globo e a Band seguem com os direitos de TV aberta da Champions pelos próximos anos. O canal carioca que, como dito, iniciava suas transmissões somente nas semis, há dois anos já o faz desde as oitavas de final. Já a rede do Morumbi deve passar a exibir até dois jogos por semana.

Canal do esporte?

A Band disparadamente segue sendo a rede aberta com maior programação esportiva, mas a bola rolando não é tão prioridade assim do canal, que já ignorou a estreia da Seleção no Mundial sub-20 em prol do “Pânico” e nesta terça (09) manterá seu horário nobre intacto enquanto o Brasil enfrentar a Coreia pela Copa do Mundo feminina. O jogo vai ao ar na TV Brasil e no SporTV.

Prioridade

Finalizando o raciocínio, outra prova do tamanho da Liga dos Campeões foi a opção de Galvão Bueno em narrar a finalíssima in loco em Berlim mesmo com o amistoso do selecionado de Dunga no dia seguinte.

A ausência do principal locutor da Globo em um jogo da equipe masculina não foi inédita, mas é um expediente absolutamente raro.

Além de não ter Galvão, o telespectador deve ter sentido falta também de outro sinônimo de Seleção: o repórter Tino Marcos, que está em um ano sabático e vai ficar de fora da cobertura da Copa América.

Sem a dupla e o Casagrande, que sofreu recentemente um infarto, restou somente o comentarista de arbitragem Arnaldo Cézar Coelho do “time titular” que geralmente acompanha as partidas.

Sabático?

Quem não tirou longas férias oficialmente, mas tem tido aparições cada vez mais raras no vídeo é o correspondente Marcos Uchôa. Conhecido pela cobertura de guerras, ele se dedica cada vez mais ao esporte.

Antes da cobertura no fim de semana na Alemanha, sua aparição sequencial mais recente havia sido somente em 2014, acompanhando o Mundial de Vôlei masculino na Polônia.

Esportivos?

Apesar disso, Uchôa possivelmente segue mais subordinado ao jornalismo do que ao esporte. E quem com certeza se encaixa nessa situação é Pedro Vedova, que também fez a cobertura da final da Liga in loco.

Ou seja, nenhum setorista de esporte exatamente esteve por Berlim. Mas a dupla que por lá esteve, claro, não decepcionou. Pelo contrário.

Resta saber se teremos Ilze Scamparini na beira do gramado quando a UEFA levar a decisão do seu principal evento para a Itália.

 

No NaTelinha, o colunista Lucas Félix mostra um panorama desse surpreendente território que é a TV brasileira.

Ele também edita o https://territoriodeideias.blogspot.com.br e está no Twitter (@lucasfelix)


 

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