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O difícil equilíbrio entre repetição e tradição no Carnaval da TV

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Divulgação
Redação NT

Publicado em 19/02/2015 às 18:32:45

Tanto nos desfiles das escolas de samba quanto nos blocos carnavalescos, a tradição pesa muito para garantir a empolgação e o acompanhamento massivo do público. Mas ao mesmo tempo em que gostamos de repetir certos hábitos em todas as folias, nenhuma deve ser igual a anterior.  

É uma equação difícil entre ousar o suficiente para manter o frescor de novidade, mas manter elementos que reforçam a identidade ao longo de décadas. Para a televisão, a busca por esse equilíbrio é bem similar durante a folia.

Na Globo, alguns dos principais acertos implementados há um ano foram mantidos. E eles têm nome, sobrenome e "endereço": Monalisa Perrone no Anhembi e Tiago Leifert na Sapucaí.

A apresentadora do "Hora Um" manteve o pique do primeiro ao último desfile em ambos os dias de transmissão. Seu jeito exagerado soa espontâneo e cativa quem estiver mais sonolento a voltar para o clima de animação.

Para completar, a dobradinha com Chico Pinheiro tem ritmo. "Suave na nave", como diz todas as quartas no "Bom Dia Brasil", fez a diferença com o conhecimento aprofundado que possui sobre o samba.
 
Além deles, claro, um nome não tem como ser esquecido. "Discreto" como sempre, Márcio Canuto fica em casa quando ao lado de uma multidão ensandecida que canta por horas. Não podia dar mais certo.

No Rio, Leifert não chamou atenção exatamente por levantar o clima, mas pela perspicácia de seus comentários, que saem do padrão óbvio de elogios ou lamentos em caso de falhas.

Sabe aquilo que passa por nossa mente durante a transmissão, mas pensaríamos duas vezes antes de dizer caso no ar? Ele não. E assim que suas tiradas quebravam o padrão de Fátima Bernardes e Luis Roberto.

Aliás, o currículo de Fátima dispensa qualquer apresentação, incluindo nessa já exitosa fase no entretenimento, mas há nomes melhores para a função.

Se Luis é óbvio, ao menos funciona como um guia que dita o ritmo das apresentações, ela parece limitada a repetir o script. Mesmo nos momentos de mais naturalidade, o tom de narração era como de leitura de TP.

Glenda Kozlowski, sua antecessora, podia acumular gafes, mas combinava mais com Carnaval. Assim como Maria Beltrão, que merece um espaço na TV aberta além do "Oscar".

Ainda no Rio, aquele que queria ser rainha e virou espelho, Milton Cunha deu show tanto nos desfiles quanto na apuração. Com a língua afiada, o carnavalesco não deixou nenhum detalhe passar batido e virou destaque da cobertura.
 
Na checagem das notas, ele dividiu o comando com Mariana Gross, que repetiu Monalisa Perrone e virou "escrava". Além da apuração, ela foi repórter nos dias de desfiles do grupo especial carioca e comandou a transmissão local ao vivo do grupo de acesso, quando fez dobradinha com Alex Escobar. Tudo isso grávida e ainda tendo ancorado o "RJTV" desta quarta-feira (18) mais cedo.

O pior detalhe da cobertura foi a quebra da interação com as redes sociais. Em anos anteriores, mensagens do público no Twitter eram exibidas na tela. Desta vez, o espaço ficou com enquetes sem sentido do portal da emissora, o que reduziu a chance de opiniões mais múltiplas serem vistas.

Incomodou ainda a excessiva atenção para a Globo Internacional. Mensagens do exterior se proliferaram em detrimentos do telespectador brasileiro. Exaltar o alcance mundial é justo, mas a proporcionalidade devia ser mais respeitada.

Além de São Paulo e Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco também tiveram generosos espaços na grade das respectivas afiliadas globais. Os estados não viram, por exemplo, a apuração dos desfiles de São Paulo.

No sábado (14), o desfile do Galo da Madrugada em Recife foi transmitido para diversos outros estados nordestinos. Na Globo News, o destaque da boa transmissão dos blocos foi a quantidade de cantadas recebidas por repórteres.
 
Já na RBS, houve ato consumado. E a repórter Thalita Meneghim beijou o cantor Fiuk durante uma reportagem.

Outras emissoras

A RedeTV! apostou no que sabe fazer de melhor: deixar de se levar a sério. A divagação sobre o nada comandada por Nelson Rubens e Flávia Noronha com grande elenco como Ronaldo Ésper e Léo Aquilla teve agachamentos, closes ginecológicos e um entretenimento questionável, mas inquestionavelmente divertido.

Já Band e SBT seguiram no circuito Salvador-Recife. Enquanto o canal do Morumbi apostou na tradição e exibiu conteúdos mais aprofundados sobre o axé em meio a cantoria, o trunfo da emissora de Silvio Santos foi a presença de estrelas do porte de Eliana e Celso Portiolli.

Para a audiência paulistana, de nada adiantou. Ambas marcaram índices péssimos, enquanto a Globo inverteu a lógica e apresentou melhora de seus números.

Mas nas capitais nordestinas a situação foi bem diferente, vide a expressiva quantidade de horas de transmissão acumulada pelas afiliadas ao SBT em BA e PE. Respectivamente, TV Aratu e TV Jornal ainda foram retransmitidas para outras localidades.


No NaTelinha, o colunista Lucas Félix irá mostrar um panorama desse surpreendente território que é a TV brasileira.

Ele também edita o https://territoriodeideias.blogspot.com.br e está no Twitter (@lucasfelix)

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