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O papel do apresentador na televisão brasileira

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Fotos: Divulgação
Redação NT

Publicado em 05/02/2015 às 20:43:37

A iminente ida de Xuxa para a Record foi o assunto da semana no meio televisivo.

Lembro-me da década de 90 e dos grandes nomes que surgiram como Ana Maria Braga e Carlos Massa (Ratinho), além de outros consagrados como Fausto Silva (Faustão), Augusto Liberato (Gugu), Eliana, Angélica, Luciano Huck, Hebe, etc.

A década de 90 foi bastante produtiva e frutífera a esses apresentadores, que embolsaram quantias astronômicas por contratos multimilionários e angariavam patrocínios de todas as naturezas.

Com o fim da década, os animadores começaram a perder peso. Primeiro SBT e depois Globo passaram a investir em formatos de sucesso. Foi a era de ouro dos realities e games-show com “Show do Milhão”, “Casa dos Artistas”, “Eu Compro o Seu Televisor”, “Big Brother Brasil”, “Fama”, “Popstars”.

Em comum, os novos programas tinham a total independência do apresentador.

É bem verdade que Silvio Santos deu um toque especial às atrações do SBT, apresentanda-os com sua maneira inconfundível, mas não se pode atribuir o sucesso dos formatos apenas à figura do apresentador.

Foi quando, em 2005, a Record resolveu que viraria líder. Então, a emissora passou a investir pesado em formatos e profissionais de bastidores, colocando apresentadores até então pouco conhecidos do grande público como Ana Hickmann, Britto Junior, Eduardo Guedes, Luciano Faccioli, entre outros.

Com equipes numerosas e formatos fortes, a Record subiu de forma meteórica, ultrapassando os consagrados apresentadores do SBT.

O sucesso da fórmula foi tanto que a Record deixou sair sua grande estrela e líder de audiência nas tardes de sábado, Raul Gil (foi para a Band), e criou um programa que poucos apostavam que daria certo, “O Melhor do Brasil”, com Márcio Garcia.

Márcio, ator, vindo da TV Globo, havia tido poucas oportunidades como apresentador (e poucas vezes voltaria a apresentar), mas a atração, que começou patinando em audiência, aos poucos se consolidou, fazendo o primeiro grande nome solo dessa fase da emissora da Barra Funda.

Mas foi a saída de Márcio que mais impactou o programa da Record. Após fazer sucesso, com "O Melhor do Brasil"no auge, muitas vezes conquistando a liderança na audiência, o apresentador já famoso recebe proposta para retornar à principal emissora do país e deixa a TV Record.

Deu-se, então, uma novela para a definição do substituto até que foi escolhido outro ex-ator da emissora carioca: Rodrigo Faro.

Faro fez sucesso, lançou moda, deu audiência e faturou muito, a ponto de migrar dos sábados para os domingos da emissora.

Mas a Record não parece ter entendido o significado de seu próprio sucesso e passou a investir em nomes de peso. Augusto Liberato foi o primeiro. Contratado a peso de ouro, o ex-sucessor de Silvio Santos foi tratado como o tiro de misericórdia no até então cambaleante SBT.

E foi um tiro, mas na Record. Custando muito e retornando pouco, Gugu teve seu contrato rescindido anos antes do fim (ainda hoje estaria em vigor) e caiu no ostracismo da televisão.

Não contente, a Record resolveu apostar suas fichas em Sabrina Sato, comediante de renome, “cria” de reality-show da concorrência e talhada por aquela que foi a melhor equipe de humor da TV brasileira recente, Sabrina assumiu, ainda despreparada para tal, o comando de um programa só seu, aos sábados.

Não foi fracasso, mas está longe do sucesso esperado quando da sua contratação.

Nesse mesmo período, o SBT parece ter aprendido a lição. Além de reduzir o salário até rescindir o contrato com Hebe e após apostas pouco produtivas em Roberto Justus e Richard Rasmussen, resolveu retornar às origens e à velha máxima: “apresentador a gente faz em casa”. Foram “feitos” Isabella Fiorentino, Arlindo Grund, Lígia Mendes, Beto Marden, Maísa Silva, Luiz Bacci, entre outros.

A Record, ao contrário, novamente volta a investir pesado na contratação de grandes medalhões da televisão. A bola da vez: Xuxa.

A auto-intitulada “Rainha dos Baixinhos”, de grande sucesso nas décadas de 80 e 90, já deu mostras de que perdeu o gás na emissora dos Marinho. Mesmo com grandes diretores, como Roberto Talma, pouco acrescentou em conteúdo e audiência, além de afastar parte do público, avesso ao estilo de apresentação mais voltado a crianças.

Acabou, depois de muito tempo, emplacando um programa para bebês, que gerou alguns DVDs e outros milhões. Foi só. Com alto custo de produção e baixo retorno, Xuxa saiu do ar para o tradicional “ano sabático”, forma carinhosa de a principal emissora do país aposentar suas estrelas.

Se assinar mesmo, Xuxa faz bem em ir para a Record. Receberá o que não receberia na concorrente e terá um programa moldado às suas características tal qual a oportunidade que teve outrora. Caberá à apresentadora estudar o novo público da TV para que volte a apresentar resultados satisfatórios.

O fato é que hoje, no Brasil, apresentador não garante pontos de audiência, mas, caso tenha grande rejeição, pode destruir bons formatos.


Apaixonado por televisão, Helder Vendramini pesquisa e estuda esse meio há vários anos e está se formando no curso de Rádio e TV. Aqui no site, buscará fazer análise aprofundadas dos mais variados temas que envolvem a nossa telinha.

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