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Enfoque NT: Ibope e seu monopólio de aferição de audiência no Brasil

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Divulgação
Thiago Forato

Publicado em 06/11/2013 às 17:52:38

Desde os primórdios, quem mede a audiência da televisão no Brasil, como se sabe, é o Ibope (Instituto Brasileiro de Opinião e Estatística). E desde 1988, o Brasil foi o primeiro país do mundo a ter o “minuto-a-minuto” (real-time).

Métodos muito questionados e uma medição que, para muitos, não é confiável. Afinal, 700 aparelhinhos (peoplemeters) são capazes de refletir a preferência de uma cidade como São Paulo ou de um país como o Brasil?

Confiabilidade

O Ibope constrói sua amostra embasada nos dados do censo demográfico brasileiro, realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Comodismo

O Ibope mede a audiência por aqui desde 1954. Com isso, criou-se uma natural acomodação de todo o mercado televisivo e publicitário. O monopólio do Ibope na aferição também é uma opção do próprio mercado.

Prazer, Datanexus

Quem acompanha audiências há algum tempo, deve saber que a ideia de criar o Datanexus nasceu de uma antiga desconfiança de Silvio Santos em relação ao Ibope. O dono do SBT, então, investiu cerca de R$ 4 milhões no projeto, para que o mercado tivesse outra opção. A amostragem do instituto era menor: 250 domicílios em São Paulo tinham sua preferência aferida, o que gerou extrema desconfiança.

Pouco mais de um ano depois, o Datanexus fechou as portas, já que seu único cliente, o SBT, deixaria de pagar quase R$ 200 mil mensais. Praticamente um boicote.
Na década de 90, Silvio Santos também chegou a formar parceria com a Nielsen, que mede audiência de TV nos Estados Unidos. A emissora injetou dinheiro no instituto, mas o negócio melou. A Nielsen acabou se associando ao Ibope, em 1998. Um acordo de cavalheiros foi firmado, desde então: a Nielsen não tenta entrar no mercado do Ibope na América Latina e o Ibope não entra nos EUA.

Ibope é sinônimo de...

Atenção. Ao longo dos anos, o nome do instituto também ganhou outras conotações. Quem nunca ouviu frases do tipo: “Não vou dar Ibope pra ele não”, “Ah, não dê atenção pra ele, essa pessoa só quer Ibope”...

Vem aí: GfK

O instituto alemão que atua em mais de 100 países é a quarta maior empresa de pesquisa do mundo. Interessados? Todas as emissoras, fora a Globo, já que ela é a líder e maior cliente do Ibope.

Há sim, espaço para mais um instituto que queira medir audiência. Monopólio nunca é saudável. Que tenhamos no próximo ano uma opção nesse sentido.
 

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