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Roda o VT: O SBT e o dilema da reprise de "Carrossel"

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Divulgação/SBT
Redação NT

Publicado em 08/08/2013 às 11:36:26

Na coluna passada, falamos da importância de "Carrossel" para o SBT, o impacto que ela proporcionou e o legado que a novela infantil trouxe para a emissora.
 
Realmente, o SBT acertou em quase todas as suas apostas sobre o folhetim adaptado da obra de Abel Santa Cruz.
 
Acreditou no poder de fogo de seu próprio "cast" ao expô-lo na novela. Maísa, a apresentadora prodígio, perdeu os cachinhos e o visual de bonequinha para virar atriz. Lívia Andrade, a irreverente integrante da bancada do "Programa Silvio Santos" assumiu um papel, assim como Carlinhos Aguiar e Fernando Benini, dois célebres caras-de-pau das câmeras escondidas, que mostraram ter também seu lado de ternura. Yudi e Priscilla, os âncoras do "Bom Dia e Cia", se encarregaram de cantar o tema de abertura. Arnaldo Saccomani, jurado do "Astros", fez da produção musical um estouro. E, é claro, Íris Abravanel, a esposa do Patrão, foi quem assinou os trabalhos.
 
Também agiu corretamente ao divulgar a novela em outros programas da casa. Praticamente todos foram visitados pelos elenco. O único porém, nesse caso, foi a confusão entre artistas e personagens, praticamente anulando a verdadeira identidade dos atores.
 
E "Carrossel" vendeu. Virou livro, revista, CD, DVD, material escolar, boneca, quebra-cabeça, roupa, todo o tipo de brinquedo. O SBT nunca faturou tanto com uma novela.
 
Só que, diferentemente de um seriado, que pode se estender por longos anos, uma novela não dura tanto assim. O sucesso da novela foi muito acima do esperado, e o licenciamento de produtos, também. E, enquanto "Carrossel" já ia se encaminhando para sua reta final, no aspecto do merchandising a trama ainda tinha com fôlego para mais.
 
A novela foi esticada o quanto pôde. Nos últimos meses de exibição começou a apresentar as "barrigas" comuns em folhetins de grande audiência. Acertadamente, o SBT iniciou com antecipação a gravação de "Chiquititas", a sucessora, e definiu a criação de um seriado "spin off" com a turma da Escola Mundial, além de um desenho animado, ambos em fase de produção, e de shows musicais com as crianças do elenco que toparam.
 
E eis que, menos de uma semana após o término da novela, o SBT anunciava a sua reprise, no horário das seis e meia da tarde. A notícia dividiu opiniões, mas a maioria dos comentários era no sentido de que a emissora estava tomando uma decisão precipitada, correndo o risco de desgastar o seu produto.
 
A repercussão negativa da reprise precoce fez com que o SBT desistisse da ideia em poucos dias, dando sobrevida ao “Clube do Carrossel”, espécie de “Bom Dia e Cia” apresentado por Ana Vitória Zimmermann e Mateus Ueta, caracterizados como Marcelina e Kokimoto, respectivamente, personagens que interpretaram na novela, e ambientado em estúdio que imita um dos cenários da trama.
 
O SBT ainda precisa de “Carrossel”. E muito. Precisa que o público mantenha o interesse nos produtos licenciados, que estão em grande quantidade nas prateleiras das lojas, porque a novela, mesmo tendo acabado, ainda estava rendendo – e continuará.
 
“Clube do Carrossel” é um paliativo para manter acesa a chama do maior sucesso dos últimos anos da emissora de Silvio Santos, e não é a melhor solução. O desenho animado e o seriado prometidos precisam ser produzidos e exibidos o quanto antes.

“Carrossel” será fatalmente reprisada – e várias vezes. Mas, por enquanto, o público quer e espera o conteúdo inédito que a emissora prometeu.


Hamilton Kenji é titular dos blogs obaudosilvio.blogspot.com, letrasdotrem.blogspot.com e transcendentes.blogspot.com
 

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