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Roda o VT: "Bozo" agrada aos saudosistas; crianças precisam se acostumar


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Fotos: Artur Igrecias/SBT
Bozo, o palhaço que marcou a infância das crianças na década de 80, voltou ao ar no SBT mantendo o mesmo estilo que o consagrou, com direito a participação dos bonecos e dos personagens da família e as músicas que fizeram sucesso na voz dos palhaços. Faltou só o Garoto Juca.
 
A grande expectativa do programa "Bozo" era em relação aos novos intérpretes de Papai Papudo, Vovó Mafalda e Salci Fufu. Foram bem. A caracterização estava boa e os atores procuraram seguir os trejeitos dos originais. A Vovó Mafalda feita, ao que tudo indica, pelo ator de pegadinhas Kankan, ficou muito parecida com a interpretação de Valentino Guzzo, inclusive na voz. Vanessa Guzzo, filha do falecido ator, manifestou no Twitter emoção ao assistir a reestreia do programa, sentindo que o pai foi bem representado e homenageado.
 
O Salci Fufu de Faxinildo ficou bem menos ranzinza do que o original de Pedro de Lara, porém seu nariz ficou muito mais bem feito e não ficava quase na testa, como acontecia com Pedroca. Para o Papai Papudo feito por Murilo Bordoni, ficaram faltando os passos engraçados e o gesto típico de jogar o chapéu para o alto, inventados por Gibe, que fazia um palhaço clássico, como Carequinha e Arrelia, com um toque chanchadeiro de Oscarito.
 
 
Em suma, os atores tiveram bom desempenho individualmente, mas ainda falta mais "timing" nas piadas e entrosamento entre eles, que deverá vir com o tempo. 
 
E tem ainda alguns detalhezinhos que devem ser observados. Mafalda, por ser uma palhaça vovó, poderia ser chamada de "senhora", ao invés de "você". Os bonecos do mini-júri ficam num espaço muito apertado, dando a impressão de ser difícil sua movimentação.
 
Como não existe mais programa infantil com auditório e brincadeiras no palco - o "Bom Dia e Cia" não entra nessa classificação, pois traz apenas jogos por telefone -, formato tão tradicional na televisão brasileira nas últimas décadas, as crianças ainda precisam se acostumar a esse novo-velho estilo. Diante disso, talvez seria ideal se o "Bozo" fosse exibido diariamente, para estimular e cativar o público.
 
O programa e os personagens não foram descaracterizados. Como aconteceu com "Carrossel", o remake não desmereceu ou desrespeitou a primeira versão. Os nostálgicos, saudosistas e oitentistas não têm do que reclamar.
 
 
Hamilton Kenji é titular dos blogs obaudosilvio.blogspot.com, letrasdotrem.blogspot.com e transcendentes.blogspot.com
 
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