BBB 26: Era realmente necessário um Paredão falso agora?
Com 5 baixas no elenco e um jogo que já caminha sozinho, a direção recorre a um truque antigo para "tapar buraco" no calendário
Publicado em 02/03/2026 às 09:00,
atualizado em 02/03/2026 às 10:51
Tem coisa que o BBB 26 faz que já nasce com trilha sonora própria. O Paredão falso é uma delas. Basta o apresentador começar o discurso de eliminação que, antes mesmo do “quem sai é você”, os confinados já se entreolham: “Será que é falso?”. Virou reflexo condicionado. Como a falsa morte em novela das nove, aquela que ninguém acredita até aparecer o corpo — e, às vezes, nem assim.
Nesta semana, a direção decidiu recorrer novamente ao expediente. A dinâmica, criada para provocar reviravoltas e testar alianças, ganhou status de símbolo do programa.
Desde 2013, quando Anamara foi a primeira a “sair” e retornar à casa, o recurso passou a ocupar um lugar cativo no imaginário do reality. Naquele momento, mexeu com o jogo. Havia surpresa, havia impacto, havia desorientação genuína.
Em 2018, a volta de Gleici repetiu o efeito: discursos atravessados, alianças revistas, estratégias refeitas às pressas. Foram momentos em que o artifício produziu consequência real. Mas é preciso reconhecer: são exceções.
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Na maior parte das vezes, o Paredão falso rende dois dias de agitação, teorias conspiratórias no quarto do líder, algumas frases de efeito e, depois, tudo volta ao eixo anterior.
No BBB 26, a impressão é de que a engrenagem seguirá esse roteiro conhecido. Os brothers vão especular, revisar conversas, talvez protagonizar uma cena que viralize. Mas, pensando no tabuleiro mais amplo, é difícil imaginar uma transformação estrutural. O jogo desta edição não parece depender desse empurrão.
E há um dado curioso: talvez o fato de o Paredão falso soar dispensável seja, paradoxalmente, um elogio ao elenco. Neste ano, os participantes se mostram dispostos a se expor e a jogar.
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Mesmo aqueles rotulados como “plantas” em temporadas anteriores — como se viu no BBB 25 e no BBB 23 — acabaram encontrando espaço quando decidiram participar de forma mais intensa. O movimento partiu deles, não de uma intervenção externa.
Por outro lado, há a matemática fria do calendário. O programa perdeu dois participantes por desistência — Pedro e Henri Castelli — e registrou três expulsões: Sol, Edílson e Paulo Augusto. Cinco saídas fora do script. A casa ficou desfalcada.
A produção, que trabalha com data de final previamente definida, precisou ajustar a engrenagem. O Paredão falso, nesse contexto, funciona menos como reviravolta criativa e mais como ferramenta de gestão de elenco.
Fica a pergunta: vale a pena seguir acionando um mecanismo que já não surpreende como antes? Talvez seja o momento de a direção pensar em uma nova dinâmica, algo que realmente embaralhe as cartas. Qual? Não sei. Imagino que haja uma equipe remunerada para isso.
O que se sabe é que, quando o público começa a esperar a surpresa, ela deixa de ser surpresa. E o BBB, que vive de tensão e imprevisibilidade, talvez precise menos de truques conhecidos e mais de coragem para inventar outros.