Record impôs que mocinha fosse submissa a Josué em Terra Prometida, diz autor

Emissora também interferiu no final da vilã Samara em "A Terra Prometida"

Foto: Divulgação

Publicado em 16/11/2016 às 15:50:29

Por: Sandro Nascimento

No início deste mês, o autor da novela "A Terra Prometida", Renato Modesto, foi avisado pela Record que seu compromisso não seria renovado, sob o pretexto de não existir a previsão de novos projetos a média prazo e economia.

Em entrevista exclusiva ao NaTelinha, Modesto fala sobre o caso. "Só me surpreendeu eu ter recebido recentemente uma promessa depois não cumprida de que meu contrato seria renovado", diz.

Sobre a as interferências realizadas pela direção da Record na história de "A Terra Prometida", Renato revela que as mudanças nas características da personagem principal Aruna (Thais Melchior) foi a que mais incomodou.

"Na sinopse e nos primeiros capítulos, Aruna é uma mocinha guerreira, voluntariosa, corajosa, à frente do seu tempo, a ponto de lutar contra os inimigos usando um disfarce que a transforma no Cavaleiro Mascarado. A supervisão artística da emissora exigiu que ela se tornasse uma mocinha frágil, desajeitada, recatada, submissa a Josué a ponto de prometer nunca mais usar seu disfarce heroico", explica.

As mexidas da Record alteraram até o destino da antagonista Samara (Paloma Bernardi). "Eu havia imaginado finais diferentes para personagens importantes, como Samara, Leia e Quemuel. Samara, por exemplo, terminaria louca e não morrendo arrependida de suas maldades, como no capítulo final que irá ao ar", revela o autor.

Renato Modesto estreou na emissora em 2012, como colaborador da novela "Máscaras", e em 2014 assinou sua primeira obra como autor principal, a série bíblica "Milagre de Jesus", ganhando depois a chance de escrever "A Terra Prometida".

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Confira a entrevista:

NaTelinha - Já se passou uma semana desde a decisão da Record em não contar mais com você. Já deu tempo pra pensar o que vai fazer daqui pra frente?  

Renato Modesto -
Estou com vários projetos em mente: finalizar duas sinopses que já tenho encaminhadas, uma de novela e outra de seriado, e escrever um roteiro de longa-metragem.
 
NaTelinha - Você se sentiu mais desprestigiado ou injustiçado com sua dispensa da Record? Por quê?

Renato Modesto -
Nem uma coisa nem outra. Fiquei na Record o tempo que estava combinado e sempre tive com a direção da emissora um excelente relacionamento. Foram cinco anos muito produtivos e tive a oportunidade de assinar dois projetos importantes e de sucesso: a série "Milagres de Jesus" e a novela "A Terra Prometida". Saí da emissora realizado e com uma sensação de dever cumprido. Só me surpreendeu eu ter recebido recentemente uma promessa depois não cumprida de que meu contrato seria renovado.
 
NaTelinha - Numa recente entrevista, você declarou que a Record influenciava na história de "A Terra Prometida". Nestas interferências, qual alteração deixou você mais frustrado?

Renato Modesto - A
alteração que mais me incomodou atingiu as características da protagonista feminina Aruna. Na sinopse e nos primeiros capítulos, Aruna é uma mocinha guerreira, voluntariosa, corajosa, à frente do seu tempo, a ponto de lutar contra os inimigos usando um disfarce que a transforma no Cavaleiro Mascarado. A supervisão artística da emissora exigiu que ela se tornasse uma mocinha frágil, desajeitada, recatada, submissa a Josué a ponto de prometer nunca mais usar seu disfarce heroico. Achei uma pena, pois eu considerava a "mocinha guerreira" um dos grandes charmes da história.


 
NaTelinha - Alguns personagens criados por você na trama, terão um desfecho diferente do que gostaria?

Renato Modesto
- Sim. Eu havia imaginado finais diferentes para personagens importantes, como Samara, Leia e Quemuel. Samara, por exemplo, terminaria louca e não morrendo arrependida de suas maldades, como no capítulo final que irá ao ar.
 
NaTelinha - Qual foi a maior dificuldade em adaptar uma história bíblica para a TV?

Renato Modesto -
As narrativas bíblicas são muito ricas e oferecem ótimo material para adaptação, mas naturalmente algumas apresentam maior dificuldade do que outras. O Livro de Josué que me coube adaptar apresenta como principal dificuldade o fato de ser uma história de guerra violenta. Basicamente, a trama se resume ao avanço militar hebreu sobre as terras de Canaã. Para transformar essa história em novela, tive que criar tramas de amor, conflitos familiares e novas aventuras. Se eu me ativesse estritamente à narrativa bíblica, a passagem renderia no máximo uma minissérie com dez a vinte capítulos.



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