Daniella Perez completaria 47 anos nesta sexta; relembre frases do caso que abalou o país

Atriz foi brutalmente assassinada a golpes de tesoura em 1992

Fotos: Divulgação

Publicado em 11/08/2017 às 13:15:09

Por: Sandro Nascimento

Se estivesse viva, a atriz Daniella Perez completaria 47 anos nesta sexta-feira (11).

Em dezembro de 1992, no auge da carreira, interpretando a personagem Yasmin na novela "De Corpo e Alma" na Globo, a filha da autora Glória Perez foi brutamente assassinada com 18 estocadas de tesoura no coração e no pescoço por seu colega de cena, Guilherme de Pádua, junto com sua esposa na época, Paula Thomaz. O crime abalou a classe artística.

Em 1997, o casal foi condenado por homicídio duplamente qualificado por motivo torpe. "Acreditando que sua carreira estava sendo prejudicada por Daniella (como afirmou à polícia e como seus primeiros advogados alardearam nos jornais da época), trama, junto com a mulher, Paula Thomaz, o assassinato. E para selar o pacto criminoso, fazem uma tatuagem nos órgãos genitais, onde um escreve o nome do outro. No dele, PAULA, em toda a sua extensão. No dela, GUILHERME", relatou Glória Perez no site "Caso Daniella Perez", criado pela autora como homenagem póstuma à sua filha.

Após a perda da filha, Glória Perez, através de uma emenda popular, conseguiu mudar a Lei de Crimes Hediondos (Lei 8.072/90) e incluir o crime de homicídio qualificado.

O NaTelinha reuniu algumas frases que relembram o caso. Confira:

Facção criminosa ofereceu matar assassino para Glória Perez

"Recebi várias cartas de uma facção criminosa, dizendo que bastava eu dizer uma determinada palavra numa entrevista e eles eliminariam o assassino da minha filha, em meia hora. Não é uma palavra trivial, que é dita facilmente, nem tampouco é uma palavra impossível. Tive de tomar certo cuidado. Ninguém jamais perceberia, mas nunca me foi tentador participar de assassinatos”. Glória Perez, revista Época, 2009.

"Tive a justiça possível: não a Justiça", Glória Perez

"Tive a justiça possível: não a Justiça! Na época, um condenado a mais de 20 anos tinha direito a segundo julgamento. Para evitar isso, o juiz deu uma pena de 19 anos e alguns meses para os dois. Condenados por homicídio duplamente qualificado com motivo torpe, cumpriram seis anos na área VIP dos respectivos presídios e foram postos na rua. Pra eles saiu barato. Eles foram à delegacia, dar pêsames à nossa família na própria noite do crime. Chegaram num carro ainda com o sangue de Daniella. Ele abraçou o Raul dizendo: 'força, cara. Eu estou aqui'. E saiu pedindo à produtora Marcela Honignam que avisasse a hora do enterro porque queria estar do meu lado". Glória Perez, O Globo, 2012.


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Raul Gazolla e os três infartos

"Foi por estresse, claro. Perdi minha mulher assassinada, depois meu irmão, meu sobrinho e meu pai morreram. Quando a gente é jovem aguenta essas perdas, mas a conta vem mais tarde, não tem como. Tive a doença do século: estressse. O pai da Dani morreu de tristeza, a Glória teve câncer e eu infartei três vezes. Glória é uma guerreira. Nossa relação sempre foi muito boa, sempre a vi como uma grande amiga. Nossa relação é eterna". Raul Gazola, Portal Ego, 2017.

Sofrimento de Raul Gazolla

“Sofri com a criminalidade como milhares de pessoas também já sofreram, mas agora sofro é com a impunidade. É um absurdo saber que as pessoas que mataram minha mulher com 18 facadas, que deveriam ficar 19 anos na prisão, estão na rua, livres”. Raul Gazolla, Isto É, 2002.

Glória Perez voltou a escrever a novela 15 dias depois

"Ou me acabava ou me mantinha em pé. E tinha que ficar em pé. Terminei a novela de qualquer jeito, com esse vínculo de escrever o capítulo e sair correndo atrás de testemunha, de tudo que tinha que resolver nesse caso. Escrevi pela técnica, a cabeça não estava lá. Sei lá como, Deus sabe. Porque senão eu ia bater a cabeça na parede e aquilo me prendia ao real, no cotidiano. Eu não voltei no dia seguinte, mas 15 dias depois. Voltei a escrever para continuar vivendo". Glória Perez, O Globo, 2014.

Glória Perez e a mudança de lei

"É uma dor contínua. São 20 anos, mas é uma dor que não passa nunca dentro de você. Um dia eterno, que não passa. Eu tive espírito de luta e muitas pessoas se espelharam nisso para levar suas lutas adiante. Lutei muito para botar aquelas pessoas na cadeia, para conseguir aquela modificação na lei e colocar o homicídio qualificado na lista dos crimes hediondos. Se não fosse essa lei, o casal Nardoni (Alexandre e Ana Carolina Jatobá, acusados de jogar a filha dele, Isabela Nardoni, pela janela) já teria saído da cadeia há muito tempo". Glória Perez, Revista Quem, 2012.

Stênio Garcia e a última cena

"A última cena que ela gravou foi comigo e com a Marilu Bueno que fazia a mãe dela. Já tive várias filhas. A Débora Falabella foi minha filha em 'Duas Caras', por exemplo. Mas ela é inesquecível. Tenho um cantinho guardado das minhas lembranças com ela. A Daniella tinha praticamente a idade das minhas filhas Cássia e Gaya. Eu transferia todo esse sentimento que tinha por elas para a Daniella e ela também me aceitava como pai fictício. Tem também o fato de eu ter feito várias novelas da mãe dela. Fiquei meio como produto das criações da Glória, então me senti sempre muito familiar dela". Stênio Garcia, IG, 2012.

"Ficamos todos estupefados", diz Tarcísio Meira

"Nunca houve e nem nunca se pensou que pudesse haver uma violência tão grande, uma coisa tão chocante bem no nosso meio. Somos pessoas amorosas, carinhosas, que trabalham com sensibilidade e, de repente, vem uma coisa dessa tão brutal. Muito maluca demais para entrar na nossa cabeça. Me lembro que fiquei um tempão com uma enxaqueca que não passava. Ficamos todos estupefados. Mesmo eu que não fazia parte da turma dela. Foi muito, muito, muito triste. Não dá para entrar na minha cabeça um negócio desses. Chegamos a falar com a Gloria uma semana depois e ela estava desolada, coitada. Sofreu muito com isso. Ela batalhou tanto. Nós trabalhamos muito com a fantasia, com os sonhos. Então de repente aconteceu uma coisa dessas... E deveria ser uma fantasia, não é? Não podia ser real. Essas coisas só acontecem em novela, teatro e cinema". Tarcísio Meira, IG, 2012.



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