"A Fórmula" trabalha com habilidade um tema já reprisado

Série estrelada por Drica Moraes e Fábio Assunção estreou nesta quinta (6) na Globo

Divulgação/TV Globo

Publicado em 07/07/2017 às 10:59:08 , atualizado em 07/07/2017 às 11:23:59

Por: Ariane Fabreti

Na faixa de séries e minisséries do final de noite em que a Globo vem investindo nos últimos anos, a comédia romântica “A Fórmula”, que a emissora exibiu pela primeira vez na TV nesta quinta-feira (06), após alguns capítulos liberados na plataforma digital Globo Play, substituiu a linguagem gótica-urbana de “Vade Retro”, cuja audiência respondeu friamente ao tema sobre o pacto demoníaco, já batido na literatura e no cinema, mas pouco abordado na teledramaturgia brasileira. “A Fórmula”, escrita por Marcelo Saback e Mauro Wilson, segue a mesma esteira da temática universal, ainda que em uma proposta diferente da antecessora.

A história de Angélica, vivida por Drica Moraes, uma cientista estabanada e talentosa que experimenta a própria fórmula do rejuvenescimento (a sua versão jovem é interpretada por Luisa Arraes), atraindo a atenção de Ricardo, o ex-namorado que não encontrava há 30 anos (feito por Fábio Assunção), lembra o mote de incontáveis narrativas, como o sucesso “A Morte Lhe Cai Bem”, protagonizado por Meryl Streep em 1992, sendo a empreitada brasileira menos ácida e mais simpática, quase uma sessão de matinê. Característica marcante de Wilson, roteirista de “Nada Será Como Antes” sobre os bastidores da era de ouro da TV, exibida pela Globo em 2016, e de Saback, cujo currículo inclui “Sai de Baixo” e “Divã”.

A movimentação teatral dos atores, os cenários limpos e coesos, os jogos de cena rápidos, quase tudo em “A Fórmula” dialoga com as comédias de costumes produzidas pela Globo na década de 90, como “A Comédia da Vida Privada” (cujo pai de Luisa Arraes, o diretor Guel Arraes, comandou em parceria com Luiz Fernando Carvalho). Ponto para as diretoras Patrícia Pedrosa e Flávia Lacerda.

A experiência de Drica Moraes no gênero torna a sua personagem, Angélica, empática sem escorregar na caricatura, enquanto Fábio Assunção assume novamente o papel de galã com os mesmos trejeitos que já se tornaram alvo fácil até mesmo para comediantes. Luisa Arraes e Kléber Toledo (intérprete da versão jovem de Assunção) impressionam pela fidelidade com a qual incorporaram o gestual de seus personagens mais velhos.

É neste trabalho bem feito, coeso, que “A Fórmula” tem o potencial de atrair a atenção, além de abordar nas entrelinhas o difícil tema do envelhecimento, brincando com as dicotomias ciência x comércio, homens x mulheres. A questão incômoda, de ordem mais pragmática, é: por que colocar essa trama após a modorrenta “Os Dias Eram Assim”? Por que, afinal, a produção mais modesta, porém mais dinâmica, deve ser sacrificada em nome de uma trama que não se decide entre o melodrama e o documental?


Ariane Fabreti é colunista do NaTelinha. Formada em Publicidade e em Letras, adora TV desde que se conhece por gente. Escreve sobre o assunto há oito anos.



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