"À Primeira Vista" cumpre o seu papel ao investir no cômico e no inesperado

Reality de namoro estreou nesta quinta (22) na Band

Divulgação/Band

Publicado em 23/06/2017 às 11:20:34 , atualizado em 26/06/2017 às 16:02:02

Por: Ariane Fabreti

As redes sociais, sempre rápidas em antecipar tendências, produziram um divertido meme. Ele consiste em dizer as possíveis previsões para o futuro no ano de 2017, como carros voadores, porém, a realidade é menos animadora: capinhas de celulares que funcionam como cafeteira e tênis de sola luminosa.

Qual é a relação destes memes com a TV brasileira? Mais especificamente o reality “À Primeira Vista” que estreou na Band nesta quinta-feira (22)? Utilizando a mesma analogia da brincadeira virtual, os tecnólogos previam que os telespectadores fariam compras através dos canais de televisão, mas atualmente brotam na programação reality shows adaptados dos seus congêneres estrangeiros, esquema que a Band abraçou desde o sucesso de “MasterChef”. A nova empreitada da emissora de Johnny Saad tenta formar casais através do encontro às cegas, conhecido no exterior como blind date (não por acaso o formato original do programa vem da Inglaterra).

O incômodo se instala quando o telespectador percebe os velhos vícios da Band em relação ao formato, como o atraso de vários minutos na estreia (prevista para ser às 22h30, foi ao ar às 22h47) e a edição que prolonga a atração mais do que deveria em dia útil (já era meia-noite quando o último casal foi ao ar). Neste quesito, a emissora pouco aprendeu com a concorrência (o “BBB” na Globo e o “Power Couple” na Record), tornando quase cansativa a edição de um programa sobre relacionamentos afetivos.

Esses primeiros abalos na estreia, contudo, não retiram um dos méritos de “À Primeira Vista”, que está na despretensão, no compromisso com o cômico, mais do que na missão em formar pares românticos. Capitaneado por Luigi Baricelli, ex-galã de novelas na Globo, o reality promove encontro entre as mais variadas classes sociais, personalidades e faixas etárias, fazendo o telespectador identificar em Waldimir, o pé-de-valsa de 62 anos, aquele tio dos almoços em família, enquanto esse mesmo telespectador ri com (e de) Aline, a proprietária de sex shop que não esconde as suas ousadias em plena mesa de restaurante que serve como ponto de encontro. Não há como se manter sério diante do afobado Milton, encantado com Ana Paula, a ex-miss Rio Claro. Autointitulado gentleman, Luiz pede a calcinha da pretensa parceira.

“À Primeira Vista” remete inevitavelmente ao “Namoro na TV” e ao “Em Nome do Amor”, ambos apresentados por Silvio Santos no SBT em décadas passadas, mas o reality de Baricelli tem de pimenta o que as atrações de Silvio tinham de inocentes. O cenário caprichado da Band não esconde os tropeços da busca pela paixão diante das câmeras, sendo que Baricelli reproduz, mas com personalidade própria, a desenvoltura do Homem do Baú ao interagir com os participantes e com os funcionários do restaurante.

“À Primeira Vista” diverte. Entretanto, deve buscar tanto a agilidade quanto a comédia.


Ariane Fabreti é colunista do NaTelinha. Formada em Publicidade e em Letras, adora TV desde que se conhece por gente. Escreve sobre o assunto há oito anos.



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