Conheça Daniel Figueiredo, produtor musical das tramas bíblicas da RecordTV

Última parte do especial "Emoção que se ouve"

Divulgação

Publicado em 17/07/2017 às 11:16:10 , atualizado em 17/07/2017 às 12:04:35

Por: Diogo Cavalcante

Um diferencial de Daniel Figueiredo é, sem dúvida, suas criações para as tramas bíblicas da RecordTV. “Um produto bíblico é umas 20 vezes mais trabalhoso do que outro produto mais "comum", conta Daniel, atualmente responsável pela produção musical de “O Rico e o Lázaro”, da RecordTV. Mas a carreira dele, personagem da quarta e última parte do especial “Emoção que se ouve”, não se resume tão somente aos produtos religiosos - já trabalhou com Zeca Pagodinho, Beth Carvalho e Xuxa e participou da criação de temas para a Copa do Mundo Fifa de 2014.

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Na televisão “oficialmente” desde 2005, quando entrou para a RecordTV após um período de colaborações em outros canais, criou músicas para diversos programas da casa, a exemplo dos extintos “Tudo é Possível” e “Programa da Tarde”, além do “Jornal da Record” e o tema do Plantão do canal.

“Como moro no Rio e a Record concentra a sua produção de dramaturgia aqui, acabo fazendo mais novela. Uma exceção recente é o programa “Dancing Brasil”, feito no Rio que tive a honra de assinar a produção musical com o Dunga Vieira”, relata.

Voltando ao mundo dramatúrgico, o reconhecimento é bom, mas a valorização ao segmento que traz é melhor ainda, na opinião do músico: “O que me dá mais orgulho é ter conhecido várias pessoas que começaram a gostar e valorizar a trilha sonora depois de conhecer meu trabalho, não por minha trilha ser a melhor, mas porque eu sempre achei muito importante a divulgação da parte musical, que geralmente fica "atrás da cortina". Daniel já passou pela produção de novelas como “Caminhos do Coração” (2007), “Vidas Opostas” (2006) e “Pecado Mortal” (2013).

“Normalmente 80% das músicas são instrumentais. Isso traz uma grande relevância para o projeto, pois desta forma os diálogos funcionam como a letra. Mas como eu sempre digo, toda faixa de áudio para mim é música, é uma organização de sons, então gosto de equilibrar tudo”, explica.

Confira a entrevista completa:

NaTelinha - Um de seus primeiros trabalhos como produtor musical na TV foi na novela “Prova de Amor” (2005). Como foi o convite pra assinar a produção musical, bem como a criação dos temas incidentais, como o que embalava as maldades de Lopo (Leonardo Vieira)?

Daniel Figueiredo - O Marcio Antonucci (já falecido) era diretor musical da Record nesta época e gostou muito do meu trabalho como produtor musical e arranjador que eu tinha feito para a esposa dele, Luciana Browne, que é compositora. Ele me fez o convite e dei muita sorte de encontrar logo de cara o Avancini e o Tiago Santiago, pessoas brilhantes, que também acreditaram no meu trabalho, mesmo eu tendo pouca experiência no ramo. A criação dos temas foi muito intuitivo para mim. Algumas trilhas que fiz para esta novela são minhas preferidas até hoje.

NaTelinha - É recorrente parceria do senhor com o diretor Alexandre Avancini. Como é relação entre vocês?

Daniel Figueiredo -  Acho muito interessante que durante mais de 10 anos trabalhando juntos e em projetos sempre muito estressantes e complexos, a nossa amizade, respeito e a vontade de cada vez fazer mais projetos juntos só aumenta. Me sinto muito honrado por ele me escolher para musicar seus trabalhos. É uma imensa responsabilidade trabalhar para um gênio. Temos também projetos fora da Record e um deles, provavelmente será lançado este ano.

NaTelinha - Nos últimos anos, a Record vem investindo em histórias bíblicas. E muitas tiveram música original composta por você. Há um cuidado maior na concepção dos temas pra produtos bíblicos ou não há diferença para as novelas comuns?

Daniel Figueiredo -  É muito mais complexo fazer músicas para produtos bíblicos. É sempre tudo mais grandioso, exige muito mais pesquisa, mais música, e tem o lado étnico que sempre dá muito trabalho. Eu diria que um produto bíblico é umas 20 vezes mais trabalhoso do que outro produto mais "comum".

NaTelinha - Os Dez Mandamentos foi um dos maiores fenômenos da Record. O álbum instrumental disponibilizado em plataformas digitais chega a ter mais de 90 músicas originais. Como foi o processo de criação delas?

Daniel Figueiredo -  A maioria das músicas eu fiz pensando nas necessidades que o sonoplasta teria para musicar a novela. Outras foram solicitação do Avancini, outras solicitação da Vivian, que geralmente vem escritas no capítulos. As músicas cantadas em hebraico eram feitas em parceria com a supervisora de hebraico da novela, Marcella Polidoro.

Foi muito estressante, cansativo, uma verdadeira maratona musical. Nunca antes eu havia produzido tantas músicas em tão pouco tempo. Mas o imenso sucesso da novela e do filme no Brasil, e agora em vários outros países, me fazem sentir que tudo valeu a pena. Estou lançando o documentário "A música de Os Dez Mandamentos" que mostra um pouco desse trabalho e que será disponibilizado primeiramente na área de assinantes do meu aplicativo "Daniel Figueiredo".

NaTelinha - Curiosamente, três das quatro novelas no ar na Record, hoje, tem produção musical sua. Duas são reprises (“Ribeirão do Tempo” e “Vidas em Jogo”). A outra, “O Rico e o Lázaro”, é inédita. Qual sua visão sobre o trabalho realizado em cada uma delas?

Daniel Figueiredo -  “Ribeirão do Tempo” foi a primeira novela que fiz com o Edgard Miranda, que também é o diretor geral de "O Rico e Lazaro". É muito tranquilo trabalhar com o Edgard pois existe uma incrível coincidência no nosso background musical a gente praticamente escutou os mesmos discos durante a vida, é inacreditável! Sou muito fã do Marcilio Moraes também.

"Vidas em Jogo" foi a minha sétima novela com o Avancini e eu já havia trabalhado com a grande autora Cristianne Fridman em "Bicho do Mato" e também tivemos uma total sintonia. Portanto, apesar de toda novela dar muito trabalho, todas foram tranquilas e prazerosas, na medida que uma novela permite ser.

Plantão da RecordTV



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