Superficial, Angélica tem dificuldades no novo "Estrelas"

Divulgação/ TV Globo

Publicado em 01/05/2017 às 01:00:00

Por: Sandro Nascimento

No último sábado (29), o programa "Estrelas Solidárias", da Globo, transformou Angélica numa voluntária de um projeto que serve refeições de alimentos reciclados para moradores de rua.

Com o que seu viu, conclui-se que na demanda de estancar a queda de audiência e pela falta de criatividade, a atração optou por um antigo vício dos diretores de entretenimento na televisão: a exploração da pobreza, só que na Globo em uma linguagem gourmertizada, além de uma inaptidão da apresentadora em lidar com este universo que não é sua realidade.

Angélica até se esforça, mas não consegue identificação com o público

Sandro Nascimento

O público se surpreendeu com a esposa de Luciano Huck que foi vista no vídeo, sem roupas caras, corte tendência do verão ou um batom que atingiu recordes de procura na central de atendimento da emissora, mas essa simplicidade decidida pelos figurinistas trouxe uma Angélica mais atriz do que uma apresentadora. "Arrasei", comemorou após simplesmente organizar os pratos e talhares para almoço.

De fato, isso deve ser algo que merece destaque diante das dezenas de empregados que deve possuir em sua mansão. Uma novidade para ela, mas não para o share da TV Globo.

Com direção de Hélio Vargas, "Estrelas Solidárias" desta semana deixou evidente a limitação de Angélica na condução deste tipo de pauta. Sua abordagem com moradores de ruas não conseguiu arrancar boas histórias capaz de comover o telespectador. Faltou profundidade.

Entretanto, o programa até tenta inovar na narrativa, ganhando uma plástica de documentário, mas neste instante, quando Angélica faz seu depoimento num plano de 45 graus com a câmera, tudo aparenta superficialidade, falso e excessivamente roteirizado. "Nossa olhar é não enxergar essas pessoas na rua", dizia sistematicamente quase como um robô. Angélica até se esforça, mas não consegue identificação com o público.

O novo "Estrelas" não ajuda financeiramente os personagens que são apresentados, e por isso, seus criadores não aceitam o título de assistencialista. Mas será que é justo Angélica faturar com sua imagem e a emissora com milionárias inserções comerciais em cima de uma realidade de extrema pobreza, sem tentar mudar ou ajudar o que foi apresentado?

Afinal, quem explora mais? São os programas que apenas exibem sabendo da potencialidade da pauta na audiência ou aqueles quem também tentam mudar uma infeliz realidade? O público gosta de um final feliz e Angélica, depois do programa, voltou para seu mundo, longe das tarefas como arrumar uma mesa de almoço.



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